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Minas e Energia

Desenvolvimento e responsabilidade Fernando Ferro

06-Jul-2009

* Artigo publicado no dia 6 de julho de 2009 – Jornal da Câmara - Ano 8 Nº 2288

 

Vivemos um momento importante com descobertas de reservas de petróleo já constatadas, como as do Campo de Tupi, na Bacia de Campos. O Brasil precisa ter atenção na redefinição do seu marco legal para a política de petróleo. O pré-sal é algo a ser tratado como uma operação do Estado brasileiro - não pertence a uma questão de governo ou de oposição. Portanto, é claro que teremos de produzir alterações para atualizar a nova realidade do petróleo do Brasil com a legislação de que dispomos. O País tem perspectiva de ficar entre as cinco grandes reservas de petróleo do mundo. E isso, logicamente, vai exigir de nossa parte uma capacidade, primeiro, de ampliar a nossa tecnologia de prospecção em águas profundas e ultraprofundas. Depois, temos que ampliar a nossa capacidade de refino, porque o Brasil passou 25 anos para iniciar o processo de construção de uma refinaria de petróleo, como está sendo feito agora em Pernambuco. Ainda importamos o diesel, porque não produzimos a quantidade adequada, nem temos petróleo com a característica de produzir o diesel, como temos para produzir a gasolina que exportamos. Mas, com as novas reservas que se anunciam, teremos essa autossuficiência no óleo diesel e iremos promover refino e ampliação na indústria da petroquímica, que a Petrobras deverá, de vez, embarcar, para garantir maiores conquistas econômicas com essa situação. Isso vai exigir do Estado o reforço da Petrobras, ou até mesmo a ampliação da presença do Estado na política de petróleo, para garantir nossa segurança energética. Afinal, o petróleo hoje diz respeito não apenas à política energética, mas também à crise mundial na agricultura, por exemplo, pois hoje depende de insumos derivados da indústria de petróleo, como os fertilizantes, que encarecem o custo dos alimentos e estão repercutindo na inflação mundial. O País tem de se preparar para esse dado e, para isso, precisa ter legislação, autonomia política, Forças Armadas preparadas para defender o nosso espaço territorial e a nossa plataforma continental com as suas vastas áreas de disponibilidade de petróleo. O Brasil, a médio prazo, pode ter trilhões de dólares em reservas de petróleo. Não é pouco dinheiro. É um recurso impressionante, que está a aparecer no horizonte para as perspectivas do País. Isso tudo requer competência, tecnologia, qualificação de mão-de-obra, preparação interna, defesa nacional e também capacidade de gerenciar toda essa indústria que crescentemente exigirá do País a maior competência possível. A Lei do Petróleo ficou insuficiente para responder às nossas atuais condições de produção de petróleo. Temos de modificar os contratos de concessões de petróleo e definir os novos tipos de contratação da exploração de petróleo. Nossos recursos imensos poderão trazer grandes benefícios a partir da constituição de um fundo que deva trazer recursos para a educação, para a área social, para a tecnologia, para o meio ambiente e, sem sombra de dúvida, para a nossa área militar.Com os recursos de petróleo, se a Marinha e as Forças Armadas não estiverem adequadamente equipadas, ficaremos vulneráveis. Precisaremos, sim, e urgentemente, consolidar a construção do submarino nuclear como uma força garantidora dos nossos recursos naturais. O petróleo e a geopolítica do petróleo exigirão imensos esforços nas áreas tecnológica, militar, econômica e política. O Brasil precisa qualificar-se para explorar esse imenso potencial de petróleo.

 

 *Fernando Ferro é deputado federal pelo PT de Pernambuco e titular da Comissão de Minas e Energia. Contato: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email //

Luz Para Todos acende o Brasil rural

06-Ago-2008


De acordo com o censo de 2000, 12 milhões de brasileiros viviam sem energia elétrica. A maioria, moradores de área rural em regiões onde o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é considerado baixo. Que cidadão de boa fé, com princípios de fraternidade e solidariedade, pode posicionar-se contra um programa de inclusão para esta população? Não se trata de simplesmente instalar um ponto de luz nos mais de 2 milhões de domicílios em questão. Trata-se de abrir o leque de oportunidades para cidadãos. Pequenos agricultores têm possibilidade de utilizar maquinário; estudantes poderão freqüentar escolas à noite; donas de casa terão meios para armazenar alimentos. Este é o Programa Luz Para Todos.
Foi, portanto, com estranheza que li o artigo publicado na Folha de S. Paulo, com o título "Luz Para Todos, que se apaga", assinado pelo Sr. Cláudio Sales, do Instituto Acende Brasil, organização se auto proclama "entidade que promove a transparência e a sustentabilidade no setor elétrico brasileiro", sendo portanto contra o Programa Luz Para Todos. O Instituto Acende Brasil afirmar que garante a transparência e a sustentabilidade do setor elétrico é um exagero evidente e nada humilde que, eu diria, beira o ridículo e é por demais pretensioso.
No artigo, ainda, há a sugestão de que falta transparência no Programa Luz para Todos, pelos "elevados prejuízos em que o programa tem incorrido". Eu não sei onde foi buscar essas informações levianas e sem base o Acende Brasil!
Os argumentos que ele usa contra a universalização prevista pelo programa é de que os investimentos são muito altos. Mero engano. Altos são os custos da exclusão social. Sugiro que sejam estudados os números divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL. Em muitos casos, nossa política tarifária reduziu os valores repassados para a população. Eram, repito, 12 milhões de brasileiros sem direito à energia elétrica.
O Acende Brasil considera o custo da operação elevado. Não é. Está previsto na estrutura das empresas. Traz o artigo como ponto negativo o direcionamento do projeto para a população de baixo consumo. Aqui se percebe o preconceito contra a agricultura familiar e contra os pobres. Faz-me lembrar a realidade nordestina de anos passados. As vacas e os bois dos usineiros tinham luz elétrica no curral. Os cavalos dos fazendeiros tinham as baias iluminadas. A poucos metros dali, na casa do agricultor, eram utilizados lampiões a gás. Isso é injustiça social.
Outra dificuldade seria o desequilíbrio de metas e recursos. Um equívoco. Este programa é responsável pelo desenvolvimento das regiões, alavancando cerca de 230 mil empregos. Na área dos negócios, por sua vez, 537 mil transformadores foram vendidos, 169 mil quilômetros de cabos foram utilizados e 3,5 milhões de postes foram comprados até agora. Se isso não é relevante, do ponto de vista econômico, o que seria então? Os investimentos são da ordem de 10,9 bilhões de reais e a população atendida por esse programa, hoje, só no Nordeste, é de 774 mil famílias, cerca de 3,7 milhões de pessoas. No Brasil, são 1,5 milhões de famílias e 7,6 milhões de cidadãos . O Luz Para Todos garante a permanência no campo de cerca de 24% da população que migraria, caso não chegasse a energia elétrica. É um benefício para as grandes cidades.
Este é um programa social do Governo Federal. O Acende Brasil realmente é raso na sua análise e está envolto na escuridão do preconceito e da exclusão social.

*Fernando Ferro é Deputado Federal, Vice-Líder do partido na Câmara e Membro Titular da Comissão de Minas e Energia