Política
"TODO CAMBIA, BROTHERS"
** Fernando Ferro
Como uma leve aragem, evoluiu da ventania para o furacão da mudança, abalando e trincando velhos conceitos, idéias supostamente definitivas e culturas do racismo e da intolerância. A "América do Norte" gritou num tom acima do que era permitido pelo centro conservador - o dos senhores de Wall Street. Falou como lá se disse a "main street", aqui conhecido como o grito rouco das ruas. Queiram ou não a velha direita e seus lacaios sopraram os ventos do sul. Seriam a mistura do minuano com o vento aragano? Que elegeram LULA, EVO, CHAVES, LUGO, CALDEIRA, etc, baixou nas plagas do norte, atravessou o Rio Grande e por cima do México se acantonou em Washington.
O grito do "I have a dream...." , de Luther King, a revolta das Black Panters dos anos 60, a execução dos Kennedys, ou o extermínio das nações dos povos indígenas nos vem à tona nestes momentos de da resposta que vem com a vitória de Obama.
Nós que ouvimos os pensadores da direita dizerem que a ideologia não existia; "que a história tinha chegado ao fim, soterrada pelo muro de Berlim" - que pode até rimar, nunca será uma solução como falou nosso poeta maior das alterosas!..
Temos agora confirmado com a crise brutal e destruidora da economia mundial, que aí sim, interferiu positivamente para a vitória de Obama. Como nunca a história continua, e, a política voltou a comandar o debate, com os chefes de Estado em todo mundo voltando a ocupar a palavra no lugar dos presidentes dos bancos centrais, ou dos financistas e agiotas do Grand Mond do mercado financeiro virtual e ficcional que comandou o mundo nas últimas décadas. Abre-se uma porta de esperança no mundo, onde esperamos que o período das invasões das ocupações ( Iraque, Afeganistão) sejam gradativamente superados. Que na verdade os interesses dos falcões do petróleo e das guerras nos EUA, sob a batuta do Governo Bush entre pra história pela porta mais suja e mesquinha, condenados pelo péssimo papel de executor das idéias do chamado Consenso de Washington e suas conseqüências fora "nos otros" latinos e povos pobres do mundo, ou os emergentes.
Por fim, mesmo reconhecendo que OBAMA; que parece-nos ter dito sem fazer uma "carta aos americanos", que não era negro e sim mestiço, numa atitude de moderação e prudência frente à lógica do pensar conservador dos EUA. Cai-lhe nos ombros hoje,portanto, uma imensa responsabilidade de superar a crise econômica, de estabelecer uma nova diplomacia, novos acordos comerciais, discutir as políticas protecionistas e principalmente reconhecer a grave crise ambiental das conseqüências do aquecimento global e que tem a ver sim com a crise econômica que aí está imperando e provocando os desastres ao redor do globo. Sem essa, de "Obama nas Alturas" do discurso injuriado e arrependido da crônica tucana e golpista (Leitão e Cia!) que estão sem saber e explicar a falência da política neoliberal que comandou a economia com sua privataria, FMI, ALCA, e a dependência externa dos EUA na política e na economia!
Portanto, hermanos, de todo o mundo saudemos esta vitória de Obama, não esquecendo pois da velha canção latina que dizia: "TODO CAMBIA..."Está cambiando, BROTHERS.... Tá ficando menos ruim, queiram ou não os pessimistas.
** Artigo publicado no Diário de Pernambuco, em 16.11.2008.
